FABRICIANO – Uma confusão envolvendo duas pessoas sem antecedentes criminais terminou em homicídio em Coronel Fabriciano. Erasmo Carlos Duarte, de 39 anos, foi assassinado na noite de sábado (13), no Bairro Morada do Vale. Por volta das 22h, ele se envolveu numa discussão em um bar, na Rua Vale do Amazonas, e acabou morto a tiros pelo proprietário do estabelecimento, Jonas Pereira da Silva, 52. Após o crime, o acusado fugiu em uma bicicleta. Até o fechamento desta edição, ele não havia sido localizado. Atingida por disparos no pescoço, a vítima morreu ainda no local do crime.
Segundo relatos de testemunhas e da Polícia Militar, o suspeito do homicídio trabalhava normalmente no bar quando se iniciou o atrito verbal com a vítima. Armado com uma faca, Erasmo teria dito a Jonas que o mataria, indo em sua direção. O comerciante pegou a arma usada no crime e efetuou um disparo no chão, tentando assustar Erasmo.
Ainda de acordo com populares e com a PM, a tentativa de Jonas de convencer a vítima a desistir de matá-lo não surtiu muito efeito. Ainda com a faca na mão, mesmo depois do disparo no chão, Erasmo teria avançado em direção do comerciante que, ameaçado, não titubeou: efetuou o primeiro disparo contra o cliente, atingindo-o no pescoço.
Depois de alvejado, Erasmo saiu do bar, cambaleou e caiu paralelamente à rua. Jonas foi até lá e efetuou mais um tiro contra ele, também no pescoço. A perita Laudiene Viana, da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil (1ª DRPC) de Ipatinga, analisou o local do crime e liberou a remoção do corpo para o Instituto Médico-Legal (IML) de Ipatinga. Ainda no domingo (14), o cadáver foi liberado para a família providenciar velório e sepultamento.
PM O cabo PM Edmar trabalhava no sábado à noite e chegou ao local do assassinato minutos depois de ele ter acontecido. “Infelizmente, é mais um homicídio em nossa cidade. Desta vez envolvendo pessoas aparentemente trabalhadoras, que perderam a cabeça e provocaram mais essa fatalidade. A vítima estava embriagada e de posse de uma faca, entrou no bar bem nervoso, discutiu com o proprietário, falando algumas palavras de baixo calão. O dono ficou revoltado e, de posse de uma arma – ainda não sabemos o calibre –, efetuou um disparo para tentar intimidar a vítima e, em seguida, efetuou mais dois tiros que tiraram a vida dela”, descreveu.
Sem antecedentes criminais
A dona-de-casa Marcilene da Silva, esposa de Erasmo, contou que o marido esteve em casa pouco antes de ser morto. Ela revelou ainda que presenciou o assassinato. “Quando Erasmo chegou, eu coloquei uma panela no fogo para arrumar o jantar, pois ele sequer havia almoçado. No entanto, meu marido me disse: ‘Não precisa fazer nada não, pois talvez eu nem volte para comer’. Depois disso meu esposo saiu de nossa residência”, contou.
Muito aflita e percebendo que o marido estava transtornado, Marcilene o seguiu. “Preocupados, eu e meu menino de 12 anos fomos atrás de Erasmo. Na hora que ele entrou no bar, eu entrei também, pedindo o moço (Jonas) que não atirasse nele. Pedi a esposa do moço: ‘Fica perto do seu marido, deixa ele fazer nada não’. Ainda supliquei: ‘Não atira não, não atira não’. Mas ele atirou e acertou no pescoço de Erasmo. Meu marido saiu correndo e eu fui atrás. Na hora que ele saiu do bar, o moço o perseguiu e deu outro tiro. Eu cai por baixo de Erasmo, quase que o disparo pega em mim. O assassino saiu correndo, sem camisa e com a arma ainda na mão”, detalhou a dona-de-casa.
Erasmo, que morreu antes da chegada de uma ambulância do Corpo de Bombeiros, deixou órfãos três filhos. Ele trabalhava como ajudante numa loja de materiais de construção.