IPATINGA – Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (10), na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ipatinga (Sintserpi), no Centro, os dirigentes da entidade, juntamente com representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) regional Vale do Aço expuseram seus posicionamentos com relação à proposta de reajuste salarial feita pela Prefeitura nas últimas reuniões de negociação. Os líderes sindicais informaram que os trabalhadores estão em estado de greve e rejeitam o reajuste de pouco mais de 4% oferecido. Dizem que estudos encomendados a um analista econômico mostram que poderia haver um reajuste real de até 19,2% sem afetar o orçamento municipal.
As deliberações dos sindicatos apresentadas à imprensa foram definidas na Assembléia Geral Unificada acontecida na noite desta terça-feira (9), quando foi rejeitada por unanimidade a proposta de reajuste da PMI, de 4%. Outros aspectos que mereceram destaque foram o plano de carreira dos servidores e o piso salarial nacional dos professores da rede pública municipal, que continuam na pauta de reivindicações dos trabalhadores.
Nesta quarta-feira também foi protocolado e entregue no gabinete do prefeito interino Robson Gomes (PPS) um documento oficializando o estado de greve dos educadores. Vale lembrar que uma greve de 16 dias entre os professores da rede municipal de ensino só foi interrompida no último dia 25 de fevereiro através de liminar que determinou a ilegalidade da paralisação por não ter havido um aviso prévio de no mínimo 48 horas.
A diretora de Formação do Sind-UTE, Reny Batista, informou que o documento que informa o estado de greve dos professores da rede municipal, entregue na PMI nesta quarta, foi para assegurar que, caso haja nova paralisação, ela esteja em conformidade com a lei. Porém, ela disse que esse instrumento de mobilização dos trabalhadores só será utilizado em último caso, pois uma nova rodada de negociações está marcada para as 14h desta quinta-feira (11) no gabinete do Executivo. Às 18h, os sindicatos têm outra assembléia marcada para discutir o que foi resolvido.
A Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura confirma que recebeu o documento do Sintserpi e Sind-UTE, informando que “a equipe da PMI estará reunida com os representantes de classes nesta quinta para dar continuidade às negociações. A Administração Municipal reforça que mantém o diálogo com os sindicatos e que respeita as reivindicações, destacando que vai obedecer à Lei de Responsabilidade Fiscal”, diz nota encaminhada à imprensa.
Contraproposta
Os trabalhadores que rejeitaram por unanimidade em assembléia geral a proposta de reajuste de 4,11% retroativa a janeiro e de 4,36% retroativa a fevereiro, consideraram os valores muito baixos. “Na verdade, o que a prefeitura propôs foi um reajuste igual à inflação. Em estudos encomendados pelos sindicatos, realizados por um analista econômico, levou-se em conta a receita do município nos últimos 12 meses e a Lei de Responsabilidade Fiscal, constatando-se que poderia haver um reajuste real de até 19,2% sem afetar o orçamento municipal”, alegou o presidente da CUT-Vale do Aço, Marco Túlio Silva. Ele ainda ressaltou que o valor do reajuste proposto pela PMI estaria muito aquém das conquistas de outras categorias do município que conseguiram reajustes salariais reais acima da inflação. Ao todo, a contraproposta dos sindicatos possui 19 itens na pauta, destacando-se além do índice de reajuste a implantação do piso nacional salarial e dos itens do plano de carreira dos servidores públicos.