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Cidades
11/04/2009 - 00:00

Márcio Cunha já faz cerca de 20 cirurgias de redução de estômago por mês


Noventa e nove por cento de intervenções realizadas são provenientes de alguma doença, garante especialista


DA REDAÇÃO - Uma conseqüência da alimentação desregrada imposta pelos dias atuais, o excesso de peso vai se tornando cada vez mais um problema de saúde no Vale do Aço. E, assim, as cirurgias bariátricas alcançam números sem precedentes na região. No hospital Márcio Cunha, por exemplo, já são realizadas, em média, 200 cirurgias anualmente.



São 16 a cada mês ou pelo menos uma a cada dois dias. Mas, quais são os limites impostos pela medicina para que esta prática não se torne mais um truque na luta pela “perfeição” a qualquer custo, um subproduto da ditadura da estética que exclui todo e qualquer cidadão com alguns quilinhos a mais?



Numa época em que o corpo esbelto é reverenciado, a cobrança pela “boa” forma física se tornou um dos principais pré-requisitos no avassalador padrão de beleza. O que contribuiu em grande escala para que o excesso de peso e a obesidade se transformassem num dos maiores dilemas da humanidade.



Desta forma, a corrida atrás da fórmula mágica para eliminar os quilinhos extras e esculpir a silhueta tem aumentado consideravelmente a procura pelas famosas cirurgias estéticas, e até mesmo, por aquela onde o paciente deve abrir mão de parte de si com a finalidade de reduzir o apetite: a prática de redução do estômago.



Inicialmente, a operação era indicada para pessoas que sofriam de obesidade mórbida (paciente com índice de massa corpórea - IMC acima de 40). Hoje, o tratamento cirúrgico também é recomendado no caso de doenças que possam ameaçar a vida, como: hipertensão, diabetes, doenças das artérias do coração, dentre outras. Portanto, as pessoas que sofrem de obesidade moderada não são indicadas para fazer a cirurgia.



“A redução de estômago não é feita com a finalidade estética, e sim, com o intuito de promover uma melhor qualidade de vida ao paciente. Eu, particularmente, me recuso a fazê-la numa pessoa que não tenha uma verdadeira necessidade, mas infelizmente, como em qualquer outra profissão, na nossa também há quem não siga as normas”, esclarece o cirurgião Marcos Villela.



Desde que começou a realizar o procedimento, em abril de 2001, o Hospital Márcio Cunha (HMC) já atendeu cerca de 850 pacientes. No entanto, de lá para cá, a demanda tem aumentado consideravelmente. A média anterior era de 121 cirurgias/ano e hoje elas já estão na casa dos 200.



“Atualmente, chego a operar até 20 pacientes por mês. Porém, 99% das cirurgias realizadas no hospital são provenientes de alguma doença. E todos os pacientes possuem indicação médica”, ressalta o especialista.



Um destes inúmeros pacientes de Marcos Villela foi a aposentada Rosinete Batista. Ela estava com 90 quilos e hoje pesa 67. Operada há um ano e sete meses, a ex-diabética relembra os problemas anteriores à cirurgia. “Eu me encontrava um pouco acima do peso, mas não fiz a cirurgia com a finalidade de perder gordura. O que me levou a enfrentar a sala de cirurgia foi o fator genético familiar. Como meu pai, eu tinha hipertensão, angina (dor no peito quando os músculos cardíacos não recebem sangue suficiente) e, o pior, tinha acabado de descobrir a diabetes tipo II”, relatou Rosinete.



Do total de pacientes operados no HMC, apenas seis chegaram a óbito devido a complicações. O que revela um número relativamente pequeno, se comparado aos benefícios conquistados após a cirurgia.



“O risco é o mesmo existente em qualquer outro método cirúrgico. Porém, os benefícios são inquestionáveis. Após a cirurgia, a pessoa passa a ter uma vida normal, com a possibilidade de poder viver ainda mais e melhor, já que a estimativa é de que o tempo de vida possa ser prolongado de 9 a 12 anos. Além da grande maioria dos pacientes não precisarem mais fazer uso de medicamentos”, afirma Marcos.



TÉCNICA MAIS UTILIZADA



A cirurgia de Capela reduz em até 90% o estômago e inativa parte do intestino• Depois da operação o indivíduo só consegue comer em pequenas quantidades• Após um ano, perde-se  em média  35 a 45% do peso•O risco de morte no pós-operatório é de 1%



“Não teria coragem de fazer a operação se não tivesse indicação médica. Mas posso afirmar com toda certeza que os benefícios foram múltiplos. Hoje tenho mais disposição para fazer uma caminhada, minha pressão regularizou, não tenho mais dor no peito e a minha glicose não passa de 95”, concluiu a aposentada.



Ao contrário de Rosinete, Edmilson Rodrigues, proprietário do bar Churrasqueijos Peçanha, em Coronel Fabriciano, admite que sempre cogitou a idéia de fazer a operação. Com 128 quilos e 1,73m de altura, ele conta: “Sempre fiz dietas, mas nunca consegui um resultado satisfatório. E só não fiz a cirurgia antes porque vários médicos me disseram para não fazer. Mas agora que a obesidade começou a comprometer a minha saúde, ela passou a ser recomendada”, relatou Edmilson.

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