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Polícia
04/03/2009 - 00:00

Tirar Carteira de Identidade exige paciência de Jó


Delegado Regional de Ipatinga admite que embora a cidade esteja crescendo demais, Setor de Identificação está estagnado.


IPATINGA – Apesar dos impressionantes avanços proporcionados pela modernização das comunicações em todo o mundo, um setor essencial para a população parece estacionado no tempo, em Ipatinga.



 Em pleno século XXI, as inúmeras pessoas que se deslocam diariamente para a Delegacia Regional de Polícia Civil a fim de tirar a sua Carteira de Identidade (RG) – documento básico exigido de todo cidadão - acabam se deparando com um primeiro obstáculo desencorajador: para ter melhor chance de conseguir o documento é necessário que se chegue cedo ao Setor de Identificação, na Rua Varginha, no Centro de Ipatinga.



 Quase todos os dias, bem antes da repartição abrir as portas para o atendimento ao público, às 8h da manhã, a fila já dobra a esquina e se estende até a entrada principal da Delegacia Regional, na Av. João Valentim Pascoal.



Dezenas de pessoas literalmente ‘madrugam’ na fila para conseguir atendimento, que é garantido por meio de uma senha distribuída no início do expediente.



Mas, para o delegado regional de Polícia Civil de Ipatinga, Leonardo Vieira Dias, dos males o menor. O quadro já foi pior.



Atualmente, quase sempre, todas as pessoas que vão ao local pela manhã são atendidas, ele diz. No Setor de Identificação são realizados 70 atendimentos diários, somando-se os períodos da manhã e da tarde. “Essa fila é histórica. Não sei há quantos anos ela existe.



 Mas apesar das pessoas continuarem chegando cedo, e terem que esperar debaixo de sol ou chuva para conseguirem a primeira ou segunda via da Carteira de Identidade, eu creio que o atendimento no Setor de Identificação foi uma das grandes vitórias que tive depois que assumi essa Regional. Durante dez anos o setor distribuiu 40 senhas por dia - 20 na parte da manhã e outras 20 na parte da tarde. Hoje a gente atende 70 pessoas diariamente, sem ter aumentado o quadro de pessoal”, orgulha-se.



Estrutura



Ao todo, o Setor de Identificação da Delegacia Regional de Polícia Civil conta com oito empregados. Porém, apenas três pertencem ao quadro de pessoal da Polícia. Os outros cinco são cedidos pela Prefeitura.

De acordo com o delegado Leonardo Vieira Dias, o maior problema enfrentado pelo departamento é a limitação do espaço físico. Ele explicou que a área reservada não é suficiente para abrigar as pessoas.



 Entretanto, a Polícia Civil não dispõe de outro local para realizar esse atendimento. “Logo que cheguei nesta Regional, eu acionei o departamento, em Belo Horizonte, para que viabilizasse isso para mim. De início já fiz até alguns contatos com a Prefeitura de Ipatinga, e, pela conversa que tivemos, eu acredito que até julho já teremos um ambiente novo”, adiantou.



Cidades vizinhas



Leonardo criticou as autoridades que afirmam que muitas pessoas chegam ao departamento muito cedo, sem necessidade, já que o atendimento inicia-se às 8h da manhã. “Muitos tendem a dizer que o problema é das pessoas que vêm pra fila sem precisar, mas não é. A pessoa que vem quer ser atendida por causa de uma necessidade. Muitas pessoas vêm de fora para serem atendidas aqui. Atualmente, estamos recebendo, além dos ipatinguenses, moradores das cidades que compõem a circunscrição do Setor de Identificação e não possuem postos para a emissão de Carteira de Identidade.



 Também recebemos moradores de Santana do Paraíso, que tem um posto, mas está fechado”, contou, salientando que felizmente as cidades de Coronel Fabriciano, Ipaba e Timóteo já têm os seus postos de atendimento, senão o problema seria ainda mais sério.



Trabalho especializado



Além da emissão de carteira de identidade, o Setor de Identificação emite Atestado de Antecedentes Criminais, realiza a denominada ‘identificação criminal’ de pessoas com dupla identidade e também faz a coleta datiloscópica de cadáveres.



“A parte especificamente policial é a parte de classificação das identidades, que é um serviço altamente específico, ou seja, não pode ser feito pelos empregados cedidos pela Prefeitura”, disse o delegado, explicando que cada dedo tem a sua identificação própria, que é unipessoal.



 “Para que a Polícia consiga identificar as digitais de uma pessoa, é necessária uma capacitação de pelo menos seis meses em Belo Horizonte”, detalha.



Leonardo Vieira afirma que a demanda de serviços é muito grande no setor, principalmente no que diz respeito à identificação criminal. Isso porque, de acordo com ele, não se trata de um trabalho mecânico de colocar a digital e saber a quem pertence.



 “Hoje ainda é uma coisa de filme a coleta de digitais no local do crime. Mas, quando tem alguma comparação a ser feita, a polícia ‘vai em cima’. Se tem como limitar um universo de pessoas suspeitas, ou seja, a pessoa comete algum crime e deixa as digitais, a gente vai ao banco de dados – que é manual - para que elas sejam comparadas com eventuais suspeitas.



 O ideal seria que houvesse um scanner para pegar a estampa e procurar dentro do sistema. Só que como não existe isso, o que fazemos hoje é olhar ficha por ficha para fazer a comparação. Temos mais de 18 milhões de carteiras de identidade emitidas no estado de Minas Gerais”, comentou.



Solução



Uma possível alternativa para acabar com a enorme fila no Setor de Identificação seria o agendamento prévio dos interessados pelo serviço, que poderia ser feito pela internet, por telefone ou até mesmo na sede da delegacia, segundo o delegado regional.



Ele afirma que Ipatinga passa por um ‘boom’ de carteiras de habilitação, que resultou na proliferação de auto-escolas, e por isso o agendamento também poderia atingir a Ciretran – Circunscrição Regional de Trânsito. “Ipatinga está crescendo demais.



 E o Setor de Identificação está estagnado. A Polícia Federal teve um avanço grande na expedição do passaporte, que hoje já é agendada. Até seis meses atrás, para tirar o passaporte era necessário entrar numa fila, que ficava cheia de despachantes, em Belo Horizonte”, comparou.





Sistema de identificação de Minas é ultrapassado, admite delegado



Ainda em entrevista ao jornal VALE DO AÇO, o delegado regional Leonardo Vieira Dias criticou o sistema de identificação do estado de Minas Gerais. “O sistema que utilizamos é ultrapassado.



 Ele precisa e vai mudar, mas a previsão é de que isso aconteça em 2014, quando for implantada a Carteira Nacional de Identificação, que será administrada da Polícia Federal, porém com convênios estaduais”, adiantou, destacando que serão gastos cerca de 10 milhões de reais para implantação do sistema.



“Eu acho obsoleto esse negócio de tinta no dedo. Isso não existe não. Teria que ser uma leitura ótica e a gente está caminhando para isso. Hoje, em pequena escala, com relação à segurança empresarial, esse tipo de identificação já existe”, ressaltou.



Conforme o delegado, os estados serão conveniados com a Polícia Federal para que aconteça a implantação da Carteira Nacional de Identificação.



UAI poderá ajudar a desafogar serviço



A cidade de Ipatinga poderá contar com uma Unidade de Atendimento Integrado (UAI). O anúncio foi feito pelo delegado

regional de Polícia Civil, Leonardo Vieira Dias.

O delegado realçou que a implantação da UAI em Ipatinga está tramitando em ‘fase policial’.



“Agora vamos tentar estabelecer uma relação com a Prefeitura local. O que posso adiantar é que a Prefeitura tem nos apoiado em várias ações e acredito que apoiará nesta também. Creio que até o meio do ano a gente terá uma resposta concreta disso”, comentou.



O delegado realçou que na cidade de Coronel Fabriciano o sistema UAI ajudou a ‘desafogar’ a fila de expedição de Carteiras de Identidade. Ele explicou que por meio do sistema, a Polícia Civil dá um suporte pessoal qualificado e a logística fica por conta da Prefeitura.



 “Para que o UAI também venha para Ipatinga é necessária a aprovação do projeto em Belo Horizonte e dotação orçamentária. Somente assim seria possível acabar com essa situação enfrentada no Setor de Identificação da Polícia Civil hoje”, expõe.



Prefeitura



Em contato com a reportagem do jornal VALE DO AÇO na semana passada, a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Ipatinga informou que estuda a implantação do UAI no município. A administração municipal – que agora está sendo substituída pelo governo interino - estaria fazendo um levantamento de possíveis espaços físicos e analisando o deslocamento e também a contratação de pessoal para o serviço.



“Hoje ainda é uma coisa de filme a coleta de digitais no local do crime”.



















AS FILAS DIANTE DA sede da Delegacia Regional são formadas ainda de madrugada
 

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